POSITIVIDADE
Um belo dia eu acordei tão bonita, tão feliz, tão realizada, tão mulher que eu acabei me tornando mulher demais para ele. - Tati Bernadi
“Eu não tenho medo de voar. Eu tenho medo de estar fechada num lugar e de ter escolhido estar fechada nesse lugar. Tenho medo porque meus pés sentem o chão mas ele é falso. Meus pés sempre me obrigam a sentir a verdade e eu sou obrigada a dizer a eles que aquele chão não dura e nem é de terra. Tenho medo do absurdo que é sorrir e dizer “guaraná normal e sem gelo, grata” enquanto se quer dizer “que merda é essa de estar voando se não sou a porra dum passarinho?”. Tenho medo porque quando acabar estarei em outro lugar. Agora, se eu pudesse escolher o maior de todos os medos, eu diria “a chance disso cair agora é muito pequena”. Estou sobrevoando, sem inteligência, a água profunda que aprendi a chamar de casa mas também de intervalo. A verdadeira angústia de voar é estar acima da nossa vida. Voar é tornar nossa rotina banal. Estou voando há dias, de primeira classe, com vista para o desenho de um país que não sei o nome. Ao lado de uma pessoa que, até que enfim, não é mais uma barrinha de cereal.”
~ Tati Bernardi. (via doistonsdeamor)


undeadeddie:

Some horror films I’m looking forward to!


“Às vezes é bom não ter nada, porque aí nada será tirado de você.”
~ Skins.  (via teleportear)


“Que a educação não basei em formas matemáticas, ou boa fonética, ou esclarecimento das ramificações da ciência biológica, ou conhecimento sobre acontecimentos do século XIX, ou articular as palavras para os campos de concentração da lei e do direito. Que a educação seja compreendida como cordialidade, lealdade, verdade, vontade e coragem. Que as ciências sejam as colunas, desta base e que o teto seja a procura pra abstinência espiritual. Que esta nessa a educação dadas aos seus filhos, pois se faltar-lhe saúde, haverá um cuidado especial, um cuidador zeloso que os veja como humanos, não como cobaias. Eu já notei que a educação não faz distinção de moradia, vi poderosos agindo como tiranos, vi miseráveis sendo líderes. Conhecimentos se compra, se ganha, não se rouba com uma 12, se conhecimentos e educação fosse comida, teria gosto de eternidade. A educação tem um tempero mais suave, o paladar precisa está sensível.”
~ Sam Nascimento, La vida passe.  (via oxigenio-dapalavra)




“O mal do século XXI
É o mal de alzheimer que aflora nessa gente:
Esquece que falou.
Esquece que sentiu.
Esqueceu que amou.
Esquece que existiu.”
~ O Boteco  (via cearoca)

“Aí lembro daquela do Los Hermanos. Canto ela um pouco, baixinho, fitando nada. Você grita que adora essa. Eu me assusto. Não por gostar dessa, mas pelo grito. Eu já sabia. Agora vai lembrar de mim sempre que escutar. Ou seja, quase sempre. Aí eu canto como quem não quer nada, querendo tudo “Até quem me vê lendo o jornal na fila do pão sabe que eu te encontrei…”. Você finge não entender.”
~ Gabito Nunes  (via thiaramacedo)



“Apesar de você carregar um nome épico nas costas, você não faz jus a ele, João. O seu nome é lindo, assim como os seus lábios finos e a sua nuca branquinha. O seu mal é o que você é por dentro. Se não fosse esse teu jeito todo errado e desleixado, eu olharia pra sua cara e diria que você é um anjo. A verdade é que você é o demônio em pessoa, João. Nada nunca é bom o suficiente pra você. Ninguém nunca é digno do seu amor. Porque será que você infla o seu ego tanto assim, João? Você não é diferente dos outros. A sua rotina não é agitada todos os dias da semana. O seu tipo físico não é de nenhum deus-grego-dos-céus. Você arqueia essa sua sobrancelha com pelos falhos e cruza os braços fazendo essa pose de durão, mas de durão você não tem nada. Admite que vez ou outra a sua vontade era de trocar a cerveja com os amigos por um milk shake com alguém especial, vai. Admite que além da bunda e dos peitos, você também repara no sorriso e nos pés. Pode parecer meio absurdo, mas eu sei que você é encantando por pés. E sei também que a sua bebida preferida nunca foi Whisky, mas sim Guaraná. Os seus coleguinhas-babacas-de-balada não sabem disso, mas eu sei. Deve ser assustador pra você ter alguém que te conhece tanto quanto eu. Tudo bem, eu entendo a sua raiva e a sua ironia desafiadora. O que eu não entendo é porque você continua fumando cigarro, mesmo odiando a fumaça que gruda na sua pele. Eu não entendo porque você sente a necessidade de beijar oito bocas diferentes a cada cinco minutos pra se sentir melhor. E também não entendo a graça que você vê naqueles programas estúpidos de automóveis. Eu não te entendo, João, mas juro que me esforço ao máximo pra te aceitar. Você carrega um fardo de defeitos insuportáveis e uma lábia com gírias indecifráveis, mas o desgraçado do seu perfume tem um aroma bom. O seu ar superior e a sua confiança em si mesmo me dá náuseas, mas a droga dos seus braços tem a facilidade de me passar uma segurança que eu não sou capaz de encontrar em nenhum outro lugar do planeta. Talvez o que eu venha a dizer agora te deixe intrigado, porque no fundo você sabe que é verdade: você não passa de um fraco, João. Por mais que os seus músculos saltem do seu corpo e você consiga levantar três elefantes seguidos, você ainda continua sendo um fraco. Estúpido. Babaca. Covarde. E mais outros milhões de adjetivos chulos. Porque você pode fazer mil mulheres caírem de amores aos seus pés, mas tem medo de se prender à apenas uma. Se te perguntarem o significado da palavra “curtição”, certamente você saberá responder. Mas e o amor, João? O que é amor pra você? Acho que agora eu te encurralei em um beco sem saída. Por detrás de toda essa sua estrutura de homem-inabalável, existe um menino que tem medo de amar. Eu sei disso também. O problema é que o seu orgulho te consome da cabeça aos pés e você não é capaz de dar o braço a torcer. A sua aparente falta de sensibilidade me irrita. Ninguém suporta conviver no mesmo ambiente que o seu por três dias, mas olhe só pra mim! Eu estou do seu lado a quase três anos. E você não dá valor a isso. Aliás, você não dá valor a nada, João. Isso também me irrita. Você não permite que ninguém descubra o que se esconde além dessa nuvem cinzenta que te cerca, porque no fundo você tem medo da solidão. Você tem medo de se entregar em um jogo no qual não é você quem dá as cartas, tampouco é o dono da partida. Você tem medo de que alguém goste de você apesar de todos os pesares. E eu gosto. Eu gosto da sua tatuagem tribal ridícula no ante-braço, da sua barba mal feita e da unha encravada do seu dedão do pé. Você não merece, eu sei, mas isso não é motivo o suficiente pra me fazer desgostar. Mesmo que você xingue a sua mãe, seja mal educado com o seu vizinho e se sinta bem em ser um completo filho-da-puta, ainda assim eu gosto de você. Na medida do impossível, tudo o que eu mais queria era atravessar pro seu lado do precipício e fazer com que a gente desse certo.
O problema é que eu não sei ser a sua Maria, João.
E o meu nome ainda é Bárbara.”
~ Capitule. (via inverbos)